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Desemprego - uma nova forma de crime?
"Vivemos numa época em que a União Europeia estabelece directrizes por forma a erradicar a Exclusão Social nas suas mais variadas formas (Desemprego, Saúde Mental,
Pobreza, etc.), estabelece directrizes para promoção do bem-estar psicológico, por forma a dirimir possíveis, reais perturbações psicológicas e mentais, para incluir
o diferente.
Enquanto isso, Portugal, ao mesmo tempo que cria projectos para tapar os olhos à União Europeia (PNAIs e afins), não cria as condições necessárias para que tais
projectos sejam colocados em prática e realmente resultem, e esforça-se por criar legislação que não contempla as directrizes europeias.
Portugal parece ter tipificado, no seu Código Penal (embora de forma implícita), o Desemprego como crime. As penas são as Apresentações Quinzenais. Mas nos Centros de Emprego, nas Repartições da Segurança Social e nas Juntas de Freguesia, em vez de ser nas Esquadras das Polícias.Vivemos num país em que os Ministros querem mais Licenciados, mais Mestres, mais Doutores, mas nem sequer pensam em criar ou abrir vagas de emprego qualificado para os detentores desses graus académicos.
Vivemos num país onde, nos Centros de Emprego, dizem aos detentores desses graus académicos que os omitam quando vão a entrevistas de emprego não qualificado por forma a serem contratados.
Vivemos num país em que, para sermos contratados, temos de mentir.
Mentir acerca das Habilitações Literárias, porque temos qualificações a mais. Mentir acerca da idade, porque acima dos 40/45 anos já se é velho para trabalhar (mas não para a Reforma.
E, no entanto, continua-se a lutar por um emprego (abaixo das nossas qualificações, ou não), dia após dia, porque não se tem escolha mesmo que não se tenha a mínima hipótese. É obrigatório, pois, de outro modo, sofrem-se outras sanções.
E assim surgem as entrevistas. É-se humilhado e hostilizado, vexado pelas escolhas de curso que se fizeram. É-se humilhado e hostilizado, vexado pela aparência física, pelo exercício físico que se faz ou não, porque se come demasiado ou talvez não exactamente assim, pela nacionalidade que se tem, pela fluência nos mais variados idiomas (incluindo o Português, caso esse não seja o idioma materno).
É-se humilhado e hostilizado, vexado quando se demonstra ter idoneidade e se recusa a difamar a anterior entidade patronal.
Alguém que esteja na situação de Desemprego procura emprego. Não procura ser humilhado.
E o tempo passa, o Subsídio (Social) de Desemprego corre para o fim. E continua-se sem emprego. Continua-se a enviar currículos, a responder a anúncios, a enviar
candidaturas espontâneas. E nada.
E a realidade pesa, os problemas surgem.
As depressões começam a tornar-se cada vez mais evidentes. E o dinheiro escasseia cada vez mais e não há como ir a consultas de Psicologia, não há como atamancar o problema com medicação, não há como parar a "infecção" que alastra e piora sem a terapia, sem o aconselhamento.
E as Leis mantêm-se. Quem as aprovou também não se interessa com os resultados.
Aliás! Nem estudos se fazem! Tal como todas as outras formas de Exclusão Social, a
sociedade prefere imitar a avestruz e esconder a cabeça na areia. Negando-se o problema, pode ser que este deixe de existir.
Mas a diminuição das taxas de desemprego não tem sido assim tão significativa. De acordo com o INE, a taxa de desemprego do 2º trimestre de 2008 foi de 7,3%, enquanto que no 1.º foi de 7,6%. Já no Ano de 2007 no 1.º trimestre foi de 8,4%, no 2.º e 3.º trimestres foi de 7,9% e no 4.º foi de 7,8%.
É imperativo atentar para este problema. O Desemprego não é apenas um problema social. É também um problema económico. É também um problema psicológico.
A problemática do Desemprego e toda a sua envolvente não se esgota num simples número.
O Desemprego é também humano - são pessoas que sofrem. E esse sofrimento tem consequências, nomeadamente ao nível da saúde.
O Desemprego poderá muito bem estar em vias de se tornar um problema de Saúde Pública."