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Pedalando nú- A World Naked Bike Riding de 2010

No dia 12 de junho de 2010 realizou-se mais uma vez, em várias cidades ao redor do mundo, a World Naked Bike Riding,o passeio cilista desnudado.
O cartaz de Saragoça,  Espanha
A World Naked Bike Riding, cuja primeira edição teve lugar pela primeira vez em 2003 originado-se a partir do primeiro passeio ciclista desnudo que teve lugar em Saragoça na Espanha em 2001, é uma campanha global que tem como objectivo sensibilizar e alertar contra os efeitos negativos do petróleo, da poluição e da dependência das energias não renováveis.
 Ao mesmo tempo procura defender os direitos dos ciclistas e promover o uso de transportes alternativos como a bicicleta como meio de combate á poluição ambiental decorrentes do excessivo tráfego automóvel nas zonas urbanas e nas grandes cidades.
Este evento é também um evento onde os ciclistas se encontram, juntam e pedalam juntos, sem roupas.
Na realidade este evento agrupa além de ciclistas também pessoas que utilizam outras formas de "transporte locomovido por meios humanos", tais como skatistas, patinadores, que procuram também, de igual modo, protestar contra a depenência do petróleo e "celebrar" a independência e individualidade dos "nossos corpos"....
O código de vestiments é "As bare as you dare" (tão despido quanto te atratrevas"....
Este evento é também palco de diversas manifestações artistico-culturais tais como a arte de pintura corporal....que é a par de outros actos de criatividade altamente encorajada...
Durante este evento procura-se criar um ambiente de diversão e de imersão e companheirismo, de modo a cativar os média,os  transeuntes, e os númerosos curiosos que por alí passam.
A nudez integral, altamente encorajada durante o evento, não é contudo uma exigência obrigatória, pedindo-se que os participantes tomem parte no evento pelo menos o menos vestidos possível.....
A WNBR é um evento que ocorre várias vezes (2 pelo menos) por ano, e que tem decorrido de forma pacífica, tendo havido até ao momento muito poucas detenções.
As únicas ocorridas até ao momento tiveram lugar em Chicago em 2005, Auckland, North Conway e New Hampshire....
Manifestantes empunham um cartaz
Não existem a nível dos diversos estados leis contra a exposição corporal o que ajuda a explicar o pequeno número de dtenções...As leis quanto à legalidade dos protestos desnudados variam de local para local, mas geralmente não tem havido confrontos e tudo acaba por funcionar de forma ordeira, com as polícias dos locais onde se realizam as "pedaladas desnudas" a apoiar ou a facilitar os eventos.
Há muitas vozes que criticam estes eventos não só pela exposição de corpos nús, mas porque consideram que estas concentrações e desfiles são um obstáculo ao tráfego regular de veículos automóveis, ao que os ciclistas respondem "Nós também somos tráfego"....
O vídeo que se segue dá conta do evento realizado em São Paulo onde dois anos antes houve detenções na sequência do mesmo por atentado ao pudor.
Os vídeos que se seguem mostram alguns dos diversos aspectos dos vários eventos da WNBR que tiveram lugar em várias cidades do mundo:


















Artigos relacionados:
World Naked Bike Ride (site oficial)
World Naked Bike Ride-Wikipedia (english)



Maputo já regressou à normalidade: o Governo congelou o aumento dos preços...

A calma regresssou a Maputo depois dos acontecimentos decorridos da greve-geral e das manifestações dos dias 1 e 2 de Setembro motivadas  na sequência do anúncio anterior do governo moçambicano de que este iria aumentar o preço do pão e dos bens essenciais.
Uma padaria em Maputo
A greve tal como já se referiu num artigo anterior foi convocada por SMS no dia anterior...e os protestos que assolaram a capital moçambicana pautaram-se segundo o balanço oficial e as contas da polícia, por cerca de 10 mortos, 150 feridos e muitos detidos.
Depois das covulsões nas ruas dos dias 1 e 2 de Stembro a situação acalmou, tendo o governo moçambicano implementado o aumento geral dos preços no dia 6 de Stembro.
No entanto um dia após o aumento dos preços dos bens essenciais, o governo retrocedeu na sua posição e ordenou o congelamento dos preços, decisão que foi recebida com agrado e satisfacção por uma população que vive muito abaixo do limiar da pobreza.
Segundo a imprensa portuguesas correm rumores de que o governo terá entretanto cortado o serviço de envio de mensagens Sms o que foi desmentido pelo ministro dos transportes e comunicações Paulo Zucula..
No dia 6 de Stembro entraram em vigor os novos preços....
O Governo congelou o aumento dos preços no dia 7 de setembro
Recordemo-nos que o salário mínimo nacional em Moçambique é de cerca de 50€ mensais,salário com o qual muitas famílias têm de fazer frente a um custo de vida bastante elevado, e adquirir os bens essenciais que se posicionam ao nível geral dos preços practicados em Portugal.
Muitos dos bens que adquirimos nos supermercados portugueses tal como queijo, fiambres por exemplo poderão ser vistos por muitos moçambicanos como uma extravagância á qual muitas famílias de parcos recursos não se poderão dar ao luxo de comprar.
O balanço dos protestos
Segundo se pode ler no diário online moçambicano "O País online":
"Em jeito de balanço, o Comando geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) emitiu, ontem, um comunicado de imprensa, no qual diz que os manifestantes, na sua maioria “jovens de ambos os sexos, desempregados, aparentavam ter consumido álcool”, além de terem aparências de “vendedores informais”.
A PRM não fez nenhum estudo de caso, mas diz que “há registo de menores que foram aliciados para integrarem este grupo de indivíduos que protagonizaram estes desacatos”.
Como consequência da revolta popular de 1 e 2 de Setembro, a polícia deteve um total de 286 cidadãos, dos quais 2 do sexo feminino.
O comunicado do comando geral foi emitido ontem à imprensa, mas aparece com dados não realísticos, sobretudo no que refere ao número total de mortos.
Para a polícia, as manifestações resultaram em 10 óbitos, mas antes de ontem, o ministro da Saúde, Ivo Garrido, disse à imprensa que até segunda-feira somavam-se 13, registados nas unidades sanitárias.
Esses dados não incluem mortes ocorridas fora das unidades sanitárias.
Em termos do universo de feridos, as autoridades policiais falam de um total de 149, dos quais 5 são agentes da PRM.
Vandalização
O saldo do levante popular da semana finda é de 13 autocarros vandalizados; 5 viaturas particulares incendiadas; 66 estabelecimentos comerciais saqueados; 75 toneladas de cimento roubadas na Matola-Gare, em 3 vagões dos Caminhos de Ferro de Moçambique, para além das fábricas da Higest, Sasseka, Fiz; 3 instituições bancárias vandalizadas; 2 estações de abastecimento de combustível e 6 postos de cobrança de Electricidade de Moçambique.
Ainda durante a semana finda, a PRM deteve um jovem no bairro “Benfica”, encontrado na posse de 11.000,00Mt em notas falsas."
(Ver a notícia original em "O País online ")
As manifestações também tiveram como consequência a interrupção dos serviços de recolha de lixo, sendo visíveis por toda a cidade de maputo muito lixo não recolhido nas ruas:
Rumores sobre a interrupção do serviço de envio de Sms
A este respeito o jornal " O país online adiantou:
Não tenho conhecimento de uma instrução para suspender SMS”
Quarta, 08 Setembro 2010 09:03 Redacção .
À saída do Conselho de Ministros que teve lugar ao fim da manhã de ontem, o ministro dos Transportes e Comunicações, que falava à Televisão de Moçambique, negou ter mandado suspender os serviços de mensagens no país.
Paulo Zucula reagia assim a afirmações de alguns órgãos de comunicação internacionais que davam conta da ordem expressa pelo Governo para suspender os serviços de mensagem no país.
 “Eu, o ministro da tutela das comunicações, não tenho conhecimento de uma instrução do Governo para suspender os serviços de mensagens”, disse o ministro, acrescentando que as operadoras têm frequentemente problemas de rede e que este é um problema técnico habitual.
 Zucula aconselhou, por fim, a imprensa a falar com as operadoras.
De recordar que, desde segunda-feira e durante o dia de ontem, tanto a mcel como a Vodacom não permitiam o envio de mensagens.
Fonte autorizada da mcel disse ao “O País” que “houve problemas em algumas plataformas do pré-pago”, sendo que os mesmos não aconteciam a nível do contrato.
Os problemas técnicos registam-se a nível nacional, e começaram, segundo a fonte, a ser solucionados na manhã de ontem.
A mesma fonte garantiu que estes problemas nada tinham que ver com os protestos da semana passada, em que as SMS foram o principal meio de comunicação dos manifestantes.
No que toca à Vodacom, a Linha de Apoio ao Cliente também confirmou que, desde a noite de segunda-feira, o envio e recepção de mensagens para toda a rede Vodacom estavam paralisadas, e que ainda não sabia quando é que a situação seria regularizada."
(ver a notícia públicada no "O País online")
A Maputo de hoje...
O vídeo que se segue correspondente a uma reportagem efectuada em maputo em 2009 dá uma ideia geral do ambiente cosmopolita da cidade de Maputo...
Passados os anos de estagnação decorrentes da guerra cívil eis que a cidade se moderniza...
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videogaleria-Os dias da greve geral em Maputo

Protestos em Maputo- O dia seguinte

A cidade de Maputo acordou tímida e silenciosa no dia seguinte aos protestos, que no dia anterior se pautaram por pelo menos 6 mortos,incluindo duas crianças e pelo menos dois polícias, e originaram centenas de feridos e muitos detidos...
O vídeo que se segue dá a conecer a calmaria na manhã do dia 2 de Setembro.
Entretanto a situação voltaria a alterar-se algumas horas depois...
Entretanto tal como noticiou o jornal "O País" (um diário moçambicano) na sua versão online:
"Distúrbios voltam a incendiar a cidade de Maputo
As manifestações voltaram a tomar conta das ruas da cidade de Maputo e Matola, com os manifestantes a desafiarem a forte presença da polícia.
Isto, após as primeiras horas do dia a situação ter-se mostrado calma.
Porém, entre as 9 e 10 horas, as manifestações reacenderam em bairros como Aeroporto, Xiquelene, Hulene-Expresso, Zimpeto, Luís Cabral, entre outros, culminando com o encerramento de várias artérias que permitem a entrada e a saída da cidade.
Há relatos de uma morte esta quinta-feira, no bairo Luís Cabral, e vários feridos nos confrontos entre os manifestantes e a polícia.
Influência sul-africana
No eclodir dos protestos que têm varrido a cidade de Maputo, da matola, bem como alguns outros pontos de Moçambique, ainda que em menor escala, poderá ter havido alguma motivação influenciada pela greve-geral que já dura há pelo menos 15 dias na vizinha Africa do Sul e que tem paralizado a vida económica em daquele país.
As manifestações do dia 1 de Setembro em Maputo
È indiscutível que na origem dos protestos em Maputo estiveram os aumentos oficiais dos preços dos dos bens essenciais, do pão, da água, da electricidade que tornam uma vida já de sí difícil, numa vida absolutamente incomportável para milhares de famílias moçambicanas.
Capa do jornal "O País"
A par com a pobreza miserável, muito abaixo daquilo que se considera o limite da pobreza, há a disparidade entre os salários muito baixos, pouco poder de compra e o preço de aquisição dos bens de primeira necessidade, que nas prateleiras das lojas e supermercados se cotam ao mesmo preço que nos supermercados portugueses.
Os salários dos funcionários públicos admnistrativos (trabalhadores de escritório) são pelo menos um terço do salário mínimo em Portugal, havendo muitas famílias numerosas a viver com menos de 100 € por mês.
A juntar a tudo isto Moçambique debate-se ainda com os problemas do desemprego, da SIDA e da imensa teia de corrupção que afecta as instituições públicas e o próprio governo.
O vídeo que se segue dá a conhecer um pouco das condições de vida da população pobre em conexão também com um outro flagelo social, a SIDA:
Seria portanto de esperar o eclodir dos protestos contra o aumento do custo de vida...
Em relação à violência dos últimos dias a juntar-se aos protestos houve também episódios de pilhagem a vários estabelecimentos comerciais e actos de vandalismo, um tipo de fenómeno frequente em situações como esta e que resulta do oportunismo de alguns.
O Presidente da República de Moçambique falou à nação como mostra o vídeo que se segue:
Azagaia: "Povo no Poder"
Em Maputo, à semelhança do que já aconteceu nos protestos de 2008, tem-se ouvido a canção "Povo no poder" do rapper moçâmbicano  Edson da Luz, conhecido por Azagaia.
O Rapper Azagaia
Azagaia é um musico Rap de intervenção, cuja música "inconveniente" já teve proibição em Angola, e que segundo consta chegou mesmo a ser ouvido pela Procuradoria Geral da República de Moçambique por "ameaçar a segurança do estado".
È possivel ver neste tipo de atitude a fragilidade política da "democracia" moçambicana.
No vídeo que se segue podemos ver e ouvir a canção do rapper Azagaia, "povo no poder" que está a "empolgar" os protestos por todo o Moçambique:
Toda a música de Azagaia tem um caracter interventista,desempenhando o rapper Azagaia um papel importante na conscialização e dando voz ao povo moçambicano das desigualdades sociais existentes naquela sociedade.
O vídeo que se segue "As verdades" atesta isto:
O Rapper Azagaia deu uma entrevista à LUSA onde dá a conhecer a sua opinião sobre os tumultos mais ecentes, do dia 1 de Setembro na capital moçambicana e que em menor grau têm-se alastrado a outras cidades de Moçambique:
"Manifestantes "não têm nada a perder", diz Azagaia, estrela de hip hop de Moçambique"
Lisboa, 02 set (Lusa) - Os protestos em Moçambique estão a ser promovidos por pessoas "que não têm nada a perder", disse em declarações por telefone à Lusa "Azagaia", aliás Edson da Luz, considerado um dos maiores representantes do hip hop moçambicano.
"O custo de vida subiu muito em Moçambique, tem consequências diretas sobretudo paras as pessoas que vivem com o salário mínimo ou não têm salário.
Basicamente são essas pessoas que se estão a manifestar, e que se sentem excluídas, marginalizadas até certo ponto", referiu.
A irreverência das letras das músicas que compõe já motivaram uma chamada à Procuradoria Geral da República, por "atentar contra a segurança do Estado", mas Azagaia, 26 anos, filho de pai cabo-verdiano e mãe moçambicana, garante que a sua música não vai parar.
Nas manifestações de hoje gritou-se 'O Povo ao poder', frase incluída numa das letras que compôs.
No entanto, o músico rejeita uma análise simplista.
O Rapper Azagaia já foi ´vítima de uma tentativa
 de assassinato em Maputo pela incoveniência política
das suas canções  Rap de intervenção
"É difícil avaliar até que ponto poderei ter influenciado as pessoas, mas uma coisa é certa: tanto eu como Azagaia, e se calhar o fenómeno social Azagaia, e também a imprensa nacional, tudo isto combinado, faz com as pessoas se sintam mais libertas para dizer o que pensam, o que acham".
O músico sublinha que a imprensa nacional "tem desde há algum tempo atacado mais abertamente os problemas, eu faço a minha parte, com a minha música, e isso estimula as pessoas a expressarem-se com maior liberdade".
Azagaia rejeita o epíteto de "marginais" para os manifestantes que hoje saíram à rua, sobretudo nas zonas periféricas de Maputo.
"São marginais mas no sentido de acabarem por ficar de fora, e são vítimas.
São pessoas que não têm nada a perder e a partir do momento em que vandalizam lojas, centros comerciais, percebe-se que são pessoas que não têm nada a perder", sugere.
Na sua perspetiva, trata-se de uma revolta dos moçambicanos. "A ação é de uma parte, das classes menos favorecidas.
Estou em Maputo, e isto está a acontecer na periferia.
 É nos bairros suburbanos que as pessoas sentem de verdade esta subida do custo de vida.
A classe média que agora se está a desenhar, e a classe alta não sentem muito".
Apesar de "continuar a existir censura", Azagaia denota contudo uma "reviravolta", e precisa:
"O facto de terem um Azagaia que diz o que diz e continua vivo...
E isso são as questões principais, continuo vivo, a fazer as músicas que faço, a aparecer publicamente, e isso faz as pessoas acreditarem que é possível criticar a sociedade, o governo, e sem receber represálias diretas".
No rescaldo destes acontecimentos, após os quais "Moçambique não poderá ser o mesmo", o músico de hip hop apela ainda ao Governo para adotar "uma atitude menos arrogante".
"Espero que o governo seja menos arrogante, que haja mais comunicação entre o governo e o povo.
E, acima de tudo, se estamos numa crise, que haja contenção de custos. (...)
Espero que o governo ponha mão na consciência e comece a comportar-se como um governo que está a passar por uma crise."
PCR.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
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Motim nas ruas de Maputo-1 de Setembro, o dia da greve-geral

Maputo a capital de Moçambique acordou hoje violentamente alvoroçada ante o barulho de tiros e peneus queimados...
Na véspera segundo noticiou o Notícias.sapo.Mz  circulava uma mensagem, de autor anónimo a apelar à greve-geral...
Uma das imagens de vandalismo que caracterizaram
os protestos de hoje
"A mensagem passava de telemóvel em telemóvel, sem ninguém conhecer o primeiro autor.
Incitava-se a uma greve geral por causa do aumento de preços dos últimos dias.
Tudo aumentou.
Combustível, legumes, frutas, materiais de construção.
 Para hoje, estava reservado o aumento da água e da electricidade.
 No dia 6 de Setembro, seria o preço do pão.
O Governo dizia que não tinha escolha, que o mundo estava em crise e os preços tinham de subir.
O povo, que deveria pagar, não queria, e, a bem dizer, nem tem como.
Há quem viva com 20, 50 cêntimos por dia.
Qualquer aumento significa fome, e não um simples sacrifício. "
A imprensa portuguesa deu também ela conta dos protestos que ocorreram em Maputo durante o dia de hoje e que tiveram por base o aumento dos bens essenciais, e que ocasiaram pelo menos seis mortos (três deles polícias) e cerca de 42 feridos.
A cidade de Maputo viveu hoje momentos de extrema agitação, assemelhando-se a um cenário de guerra...
"Os protestos que decorrem hoje nas ruas de Maputo, Moçambique, já causaram oito mortos entre polícias e populares, bem como dezenas feridos, apurou a Agência Lusa.
Segundo a diretora clínica do Hospital José Macamo, Natércia Duarte, o serviço de urgência recebeu "46 feridos civis e polícias", dez dos quais em estado grave e "três óbitos" que chegaram à unidade já sem vida.
Por seu lado, o Hospital de Navalane confirma a morte de dois cidadãos, enquanto o diretor do serviço de urgência do Hospital Central, António Costa, disse que aquela infraestrutura tem a registar um morto e 42 feridos, quatro dos quais em estado grave."
O vídeo que se segue e os videos restantes dão conta da situação vivida nas ruas de Maputo no dia de hoje:


Este vídeo foi produzido pela RTVM.
O Vídeo que se segue foi gravado na Avenida Acordos de Lusaca
Outro vídeo gravado por um popular
Cenário de guerra
A capital moçambicana está a viver hoje um cenário de guerra: nas ruas, a polícia está a disparar balas verdadeiras contra a população enfurecida que não arreda pé e insiste com barricadas em protesto contra o aumento de preços.
Hoje aumentam os preços da água e da luz.
Há relatos de estradas cortadas e lojas vandalizadas, a polícia está a disparar contra os manifestantes e há um número não determinado de feridos.
No centro da cidade de Maputo não há praticamente trânsito e as lojas foram fechando ao longo da manhã, com as pessoas a tentar regressar a casa."
(Para ver a notícia original em AEIOU.Expresso.pt clique aquí)
As imagens da violência dos confrontos de hoje..

O sítio TV.net relatou: a meio da tarde:
"Manifestações, apedrejamentos e tiros da polícia estão a marcar a manhã de hoje nos bairros periféricos de Maputo, onde as entradas na cidade estão na maior parte dos casos bloqueadas com pneus a arder em vários locais.
As últimas informações dão ainda conta de muitos estabelecimentos encerrados no centro da cidade, já o acesso ao aeroporto encontra-se igualmente encerrado. Segundo a polícia já foram efectuados vários disparos.
Há registos de protestos na cidade com confrontos entre populares, tudo devido ao aumento de preços em bens essenciais como água, luz, pão e também dos combustíveis.
Um jornalista moçambicano confirmou à TVNET que já há pelo menos três mortos e 11 feridos graves."
Entretanto sabe-se que a situação parece ter acalmado ao final da tarde, voltando-se a ouvir tiros ao princípio da noite.
O vídeo que se segue dá a conhecer a situação, já mais calma, da parte da tarde nas ruas de Maputo. Notem-se as dezenas de populares que acorreram aos hospitais civís:

A correspondente do Sapo em Maputo, Marta curto deu um relato em primeira mão, detalhado, dos acontecimentos em Maputo no dia de hoje:
"Motim em Maputo: um relato na primeira pessoa - Notícias - Sapo Notícias
01 de Setembro de 2010, 15:19
Por Marta Curto, correspondente do SAPO.mz em Maputo
Hoje de manhã, duas amigas minhas preparavam-se para sair de Maputo, em direcção
às praias do Norte.
 Nem chegaram à rotunda que marca o fim da cidade. Logo um civil mandava os carros retroceder: dali, ninguém passava.
As duas portuguesas,turistas, há menos de uma semana em Moçambique, perguntaram a um polícia se não poderiam seguir.
 Ele respondeu secamente que ali, já à frente, estavam pneus a arder, uma população enraivecida apedrejava os condutores mais teimosos.
 Elas voltaram para trás, para minha casa, onde eu me preparava para sair de casa e ir para o trabalho.
Passava pouco das oito da manhã. Já de chave na mão, ouvi tiros.
Fui à varanda e o fumo dos pneus a arder já subia, lá ao longe, mas não tão longe assim.
 Liguei a um colega de trabalho, menos atrasado do que eu, pedi conselhos de portuguesa a um moçambicano que conhece a cidade de ânimos quentes.
 Aconselhou-me a ficar em casa. Não era seguro.
Já ontem se falava na greve.
A mensagem passava de telemóvel em telemóvel, sem ninguém conhecer o primeiro autor.
Incitava-se a uma greve geral por causa do aumento de preços dos últimos dias.
Tudo aumentou.
 Combustível, legumes, frutas, materiais de construção.
Para hoje, estava reservado o aumento da água e da electricidade.
No dia 6 de Setembro, seria o preço do pão.
O Governo dizia que não tinha escolha, que o mundo estava em crise e os preços tinham de subir.
 O povo, que deveria pagar, não queria, e, a bem dizer, nem tem como.
Há quem viva com 20, 50 cêntimos por dia.
 Qualquer aumento significa fome, e não um simples sacrifício.
A partir das 9 da manhã, uma das televisões moçambicanas arrancou com emissões em directo.
 Imagens de pneus e carros a arder, gente enraivecida, armazéns de comida pilhados, a polícia a atirar.
Um cenário de guerra, de caos, de estado de sítio.
Os incidentes passavam-se sobretudo nos arredores de Maputo, nos bairros periféricos onde mora a maioria da população pobre que trabalha na capital.
 A cidade estava barricada, ninguém entrava, ninguém saía.
Dizia-se que os militares iam sair à rua, que os bairros da Sommerschield 2 e do Triunfo, da Matola e de Benfica estavam cercados.
Por mail, redes sociais e telemóveis, alguns amigos iam comunicando entre si, tendo a certeza de que cada um estava a salvo, ou em casa, ou nos escritórios.
Havia quem falasse em tiros, outros em cheiro a pólvora, os restantes em fumo.
Havia também quem falasse no outro lado da cidade, no centro dos ricos, onde a
guerra não chegou e o cenário era igual ao de tantos outros dias.
Até agora, contabilizam-se pelo menos seis mortos – nomeadamente, duas crianças - e mais de 40 feridos, fazendo suspeitar que as balas não eram de borracha, como as autoridades diziam.
Esta imagem onde se vêem os gradeamentos
nas portas das lojas dá a entender a preocupação com a
grande taxa de criminalidade na cidade de Maputo
O ministro do Interior, José Pacheco, já apareceu na televisão a falar de vandalismo e a dizer que o Governo condena vivamente os actos populares.
 Acrescentou que estas manifestações são ilegais e não têm razão de ser, já que o Governo tem vários instrumentos de diálogo com a população.
Disse ainda que “agora, a polícia controla a situação”.
Neste momento, são 14 horas e a situação já parece ter acalmado.
 Da minha casa, não se ouvem tiros, e o fumo, lá ao longe, já parece ter assentado.
 Um amigo, professor da Escola Portuguesa, que lá se barricou durante a manhã com centenas de crianças, já conseguiu vir para casa.
Os meninos estiveram fechados no auditório à espera dos pais que tentavam chegar à escola, enquanto alguns professores viam os confrontos entre manifestantes e polícia, logo ali, na estrada.
Agora, a rua está calma e não se ouve nada - nem carros, nem gente.
Nas notícias ainda se vêem automóveis a arder, mas parecem estar cada vez mais longe
da cidade.
 Agora é esperar. Ou melhora, ou piora de vez."
(in Notícias.sapo.mz . Ver original )

Reinício dos confrontos ao princípio da noite. Balanço dos confrontos. Reacções oficiais.Comunidade Portuguesa
O mesmo sítio do notícias.sapo.mz voltou entretanto a noticiar:
"Ao anoitecer voltaram os tumultos
01 de Setembro de 2010, 19:27
Depois de os conflitos terem acalmado um pouco durante a tarde, com o anoitecer voltaram a ouvir-se pela cidade de Maputo tiros e com o reforço da vigilância voaram helicópteros por toda a região de Maputo.
Ao contrário do que se vive no centro da cidade, onde “o silêncio é atroz” e “as pessoas caminham caladas”, segundo a jornalista Mafalda Brízido em Moçambique, é nos bairros periféricos que os conflitos voltaram a acentuar-se.
 Os bairros do Zimpeto, Malanga e do Coop são agora pontos de conflito.
O balanço dos confrontos
Vários são os hospitais que recebem feridos vítimas de balas e agressões.
Atocarro vandalizado
Duas crianças estão em estado grave no Hospital Central devido a ferimentos de balas. João Almada, jornalista e director do jornal "A Verdade", encontrou-as no bairro da Malhangalene, centro de Maputo, e transportou as vítimas no seu carro pessoal para o maior centro hospitalar da capital.
Armando Guebuza falou há pouco ao país (ver vídeo), depois de o balanço provisório dar conta de dez mortos em Moçambique.
Um dos feridos entre a população cívil
Os protestos contra o aumento dos preços em Maputo, Moçambique, já terão feito pelo menos dez mortos e mais de cinquenta feridos, avança fonte da polícia ao ‘País on-line'.
Por toda a cidade o cenário repetiu-se: carros apedrejados, pneus incendiados, lojas saqueadas, estradas cortadas para impedir a circulação dos automóveis e transportes públicos.
A manifestação foi convocada através de uma mensagem que circulou por sms.
 Os protestos contra o aumento dos preços dos bens essenciais começaram nos arredores de Maputo, mas estenderam-se ao centro da cidade.
 Ao início da tarde, a situação já estava mais calma.
Reacções oficiais
As declarações do Ministro do Interior, José Pacheco, à rádio Moçambique enfureceram ainda mais os manifestantes.
O ministro classificou como "vandalismo" os protestos contra o aumento de preços, devido aos saques aos estabelecimentos comerciais, e afirmou tratar-se de actos "ilegais".
Um manifestante exibe cartuchos e restos de uma garrafa
de gás lacrimogénio
 Os manifestantes acusaram a polícia de "agir de maneira criminosa disparando directamente para a população”.
Os canais de televisão nacionais estão a emitir, em directo, todos os acontecimentos. As chamadas caem em catadupa, o que mostra o envolvimento dos cidadãos no apelo à calma.
Algumas pessoas aproveitaram a ocasião para saquear casas, bancos, ou incendiar carros, tal como aconteceu em Fevereiro de 2008.
O Consulado de Portugal, em comunicado à comunidade portuguesa, informou que durante todo o dia tem estado atento «a situações em que cidadãos portugueses se vissem potencialmente envolvidos».
Voltaram os conflitos ao início da noite
No centro da cidade, ao longo da tarde, algumas pessoas tentaram retomar a sua actividade mas, como não há qualquer ponto em que seja possível passar, desistiram.
Alastramento a outras zonas do país
A cerca de 400km, na Beira, a situação também se agravou.
Um cartaz irónico que contrasta com os momentos de caos e violência
vivídos hoje em Maputo. A imagem fala por sí própria...
Junto a um liceu alguns populares pegaram fogo a pneus e construíram barricadas. Todavia, a acção da polícia foi bem mais eficaz, já que não existiu o factor surpresa desta manhã.
Depois da intervenção oficial do ministro do Interior José Pacheco, a vigilância foi intensificada com tropas na rua, embora ainda não tenha sido decretado o recolher obrigatório."
Toda esta situação é fruto da miséria e da pobreza, da disparidade de rendas, da corrupção que tem assolado este país desde a independência de Moçambique.
Situação que infelizmente não mudou depois do fim da guerra cívil em 1991.
Os salários continuam baixíssimos, sendo imcompatíveis com o aumento do custo de vida e com o aumento dos preços que vem a agravar a situação geral já de sí já bastante difícil.
Para se ter uma noção, em muitos sectores de actividade practicam-se salários inferiores a 100€ mensais, andando os salários dos funcionários públicos na casa dos 150€ mensais, o que para um país com famílias numerosas,onde as taxas de natalidade são bastante altas não permite acompanhar e muito menos contrabalançar a aquisição dos bens de primeira necessidade, que se posicionam aos preços unitários dos produtos comercializados,ao mesmo preço, num supermercado em Portugal.
Seriam portanto prevísiveis reacções populares como estas, que traduzem o clima de descontentamento geral da população moçambicana.
Os portugueses encontram-se bem, tendo o MNE advertido aos cidadãos portugueses que se mantivessem em casa, e as ligações aéreas Maputo-Lisboa foram já restabelecidas.
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IOL Diário- Ministério dos negócios estrangeiros diz que a prioridade é acompanhar Portugueses
-Jornal o "Público"-Polícia trava a tiro o dia de raiva dos pobres de Maputo  (2-09-2010)

Entrega dos contratos de electrificação da Serra de Serpa

Hoje dia 14 de Julho de 2010,um dia ansiosamente aguardado,desde há muito pelos habitantes de Serpa, é também um dia que ficará na memória de muitos habitantes do Concelho de Serpa e sobretudo dos habitantes da Serra de Serpa.
Este dia ficará marcado na história local como o dia em que foram assinados os contratos para a electrificação da Serra de Serpa, um sonho há muito acalentado pelos habitantes da Serra que há muito ansiavam pela chegada da luz eléctrica às suas habitações.
A Serra de Serpa, moradia previligiada de gentes persistentes, incansáveis e empreendedora é também um lugar onde a ausência da electricidade que agora chega e se anúncia, não travou o espiríto inamovível e resistente contra as muralhas de interioridade e e adversidade que noutras regiões do país tem levado `debandada das populações face à escassez de meios existentes.
As gentes da Serra de Serpa são um vivo exemplo do amor à sua terra e de um espírito também ele igualmente empreendedor, pois pese-se a ausència da energia eléctrica, socorrendo-se de caros geradores (a que somados os elevados custos de aquisição, acrescem-se os de manutenção) conseguiram ainda assim manter alí pequenas unidades de produção, tal como ordenharias, e queijarias, a par de outras actividades.
Lembremo-nos que Serpa produz um dos melhores e dos três mais famosos queijos portugueses o queijo de Serpa(queijo puro de ovelha e cardo), típico precisamente desta Serra.
Resistindo mesmo aos elevados custos de produção que outrossim seriam económicamente favoráveis caso usufruíssem de energia da rede eléctrica.
É que os custos com os consumos de combustível, e manutenção  dos grupos geradores são para um uso contínuo e permanente quase o dobro daqueles para os dos utentes da rede pública, considerando os preços dos combustíveis fósseis.
Adiante-se que o uso de grupos geradores mais não é do que uma solução de recurso, considerando os regulamentos de instalações eléctricas existentes, servindo apenas a causa do interrompimento temporário da energia proveniente das centrais de modo a assegurar o conforto das pessoas e o funcionamento em condições "regulares" dos equipamentos.
A este respeito, da assinatura dos contratos de elctrificação da Serra de Serpa noticiou a Rádio Pax, ainda esta madrugada, no sei sítio na internet e do qual transcrevo:
Contratos de Electrificação da Serra de Serpa celebrados hoje
"São hoje entregues os Contratos de Electrificação da Serra de Serpa. A cerimónia é presidida por António Serrano, Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
Segundo a Associação dos Agricultores do Concelho de Serpa, esta obra vai tornar esta zona “mais rica” e com potencial para “lançar novos projectos Agrícolas”.
Sebastião Louro Rodrigues, presidente da Associação, referiu que este “era um projecto que já tinha 7 anos”, mas que a “a Associação nunca deixou de trabalhar e batalhar neste marco importantíssimo”.
O mesmo responsável realça que “estavam a ser discriminados em relação a outros agricultores que podem usar energia eléctrica”.
 Sebastião Rodrigues vê esta aprovação dos Contratos de Electrificação com “grande alegria”.
A cerimónia de entrega dos Contratos de Electrificação da Serra de Serpa tem lugar esta manhã no Salão Nobre da Câmara Municipal de Serpa. "
(Ver o  a notícia original)
No entanto ao fim da tarde em notícia com origem na Agência LUSA, públicada pela CONFRAGI (Confederação Nacional das Coperativas Agrícolas de Portugal) podia-se lêr:
7/14/2010
Ministro apela a agricultores da Serra de Serpa para aproveitarem condições competitivas devido a electrificação
O ministro da Agricultura, António Serrano, apelou hoje aos agricultores da Serra de Serpa para aproveitarem bem as condições de competitividade que vão ser criadas com a electrificação rural da zona, uma reivindicação com nove anos.
O projecto de electrificação da Serra de Serpa «vai beneficiar 221 explorações agrícolas, criando condições de competitividade idênticas às que existem noutras regiões», disse à agência Lusa António Serrano.
«Os agricultores da Serra de Serpa vão passar a ter duas condições que não tinham: acesso à electricidade, a partir da concretização do projecto de electrificação rural da zona, e acesso à água, através da barragem do Enxoé, que já está ligada à albufeira de Alqueva, para poderem fazer uma agricultura moderna e de regadio», explicou.
«Deixo uma palavra de estímulo aos agricultores para que aproveitam bem as novas condições», disse António Serrano, que falava à Lusa à margem da cerimónia de entrega do contrato de financiamento do projecto, que decorreu esta quarta-feira, em Serpa.
O projecto, num investimento de cinco milhões de euros, vai ser financiado em 99 por cento pelo Programa de Desenvolvimento Rural (Proder).
Segundo o ministério da Agricultura, a primeira fase do projecto, que irá beneficiar 52 explorações, deverá arrancar no próximo mês de Setembro e terminar em Dezembro de 2011.
A segunda fase, que irá beneficiar 169 explorações, deverá arrancar em marco de 2011 e terminar em Dezembro de 2012, altura em que a electrificação rural da Serra de Serpa estará concluída.
Trata-se de um projecto «adiado ao longo dos anos, porque nunca foi possível encontrar soluções de financiamento», mas «isso já foi possível através do Proder», frisou António Serrano.
«Não ter acesso a electricidade, era uma desigualdade enorme para as pessoas da Serra de Serpa, que hoje estarão muito felizes, porque finalmente vêem um projecto importante para o desenvolvimento da região a concretizar-se», salientou.
«Foi uma batalha ganha pelos agricultores», que «há nove anos andavam a batalhar para que a electrificação rural da Serra de Serpa fosse aprovada para financiamento», disse à Lusa o presidente da Associação de Agricultores do Concelho de Serpa (AACS), Sebastião Rodrigues.
«Hoje fez-se história», salientou, referindo que «é dramático e impensável, em pleno século XXI, num país que faz parte da União Europeia, haver pessoas a viver e agricultores a trabalhar sem luz na serra de Serpa, por onde não passa um único fio de electricidade».
Segundo Sebastião Rodrigues, «nunca houve vontade política nem dotação orçamental para a concretização do mesmo», mas, «agora, finalmente houve, em primeiro lugar, vontade política para que a obra fosse feita».
«É uma grande alegria e um grande incentivo para o desenvolvimento de uma zona já por si desfavorecida», frisou, salientado que «quando a electrificação estiver concluída, os agricultores da Serra de Serpa já terão as mesmas condições que a maioria dos agricultores tem».
-Parabéns Serpa...

Já foram aprovadas as candidaturas para a electrificação da Serra de Serpa

Segundo notíciou a Rádio Pax, na sua página online, há poucas horas foram já aprovadas as candidaturas para a electrificação da Serra de Serpa, com evidente regozijo para a Associação de Agricultores da Serra de Serpa...
Naquela página pode lêr-se (transcrevo a notícia):
"Foram aprovadas as candidaturas de Electrificação da Serra de Serpa, candidatas ao PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural 2007/2013.
 O anúncio foi feito pela Associação dos Agricultores da Serra de Serpa que afirma, em comunicado, que a obra tornará “esta zona desfavorecida um pouco mais rica e capaz de se desenvolver e lançar novos projecto agrícolas”
Sebastião Rodrigues, presidente da Associação, referiu que a “candidatura apresentada ao PRODER por parte da EDP, da Câmara de Serpa com o apoio da Associação foi finalmente aprovada”.
O mesmo responsável adianta, ainda, que “vêem com grande alegria” a aprovação das candidaturas e que esta foi uma “batalha ganha” pelos agricultores da região.
A cerimónia para a entrega dos contractos de electrificação da serra de Serpa, terá lugar na próxima quarta-feira, dia 14, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Serpa. "
(ver a Notícia na Página original)
-Esperemos portanto que estas candidaturas agora aprovadas tenham seguimento práctico no terreno atendendo ao respeito pela paisagem e pelo ambiente, com benefício para os que vivem na Serra de Serpa.
Porque é que não foram aprovados os projectos anteriores de electrificação da Serra de Serpa?
Segundo a página da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo a justificação para a não aprovação da electrificação da Serra de Serpa até ao momento foi:
"O projecto de electrificação dos agricultores da Serra de Serpa (Colectivo de Vila Nova de S. Bento Sul) só ficou em condições de poder ser objecto de análise em 16/11/2006, data em que a EDP D entregou o projecto técnico e o orçamento para a 1.ª fase, à DRAP Alentejo.
 Sucede que, nesta data, o montante disponível da Medida AGRIS/Alentejo se encontrava praticamente esgotado e a possibilidade de novas aprovações estava fortemente condicionada.
A verdade é que não só estas restrições vieram a confirmar-se ao longo de 2007 como a última Unidade de Gestão, em que foram presentes projectos de electrificação, se realizou a 28/07/2005 (foram analisados 90 projectos de electrificação).
 Esta Unidade de Gestão aconteceu quase dezasseis meses antes do projecto de electrificação da Serra de Serpa estar pronto e ser entregue, à DRAP Alentejo, para análise.

A DRAP Alentejo só informou os agricultores, em finais de Fevereiro de 2008, de que as suas candidaturas não foram seleccionadas para decisão, por insuficiência de dotação orçamental, porque só nesse momento, com a aproximação do encerramento do programa, fomos tendo indicadores rigorosos das taxas de execução física e financeira das candidaturas aprovadas e em curso.
 Candidaturas aprovadas que não tenham execução ou que sejam executadas por valores inferiores aos aprovados poderiam permitir a aprovação de novas candidaturas.
Por isso, com o actual modelo, só com a aproximação do final do programa é possível saber se haverá ou não dotação orçamental para novas aprovações.
Por outro lado, só no âmbito do processo de regulamentação do ProDer é que poderíamos saber se haveria ou não algum regime de transição para as candidaturas que, por falta de dotação orçamental, não foram aprovadas no âmbito do Agris.
E essa informação só foi conhecida no final de Dezembro de 2007. "
(ver página respeitante a esta notícia)
O que é o PRODER de uma forma geral?
-O PRODER é um instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural do continente, para o período 2007-2013, aprovado pela Comissão Europeia, Decisão C(2007)6159, em 4 de Dezembro.
No contexto da Electrificação da Serra de Serpa e de outras zonas rurais do país que ainda "se encontram na penumbra", ou seja que ainda não usufruem de energia eléctrica quais são os objectivos do PODER?
No âmbito dos chamados Projectos Estruturantes
Electrificação de Zonas Rurais – 12 Milhões de Euros de Apoio ProDeR Aprovado
Através dos apoios concedidos pela Acção 1.6.5 – “Projectos estruturantes” do ProDeR, uma das tipologias de intervenção apoiadas tem como objectivo a melhoria da acessibilidade à rede eléctrica, factor essencial à concretização de uma estratégia integrada de desenvolvimento rural do território.
Concurso respeitante á Electrificação de Zonas Rurais
O concurso relativo a esta tipologia de apoio decorreu de 2 de Outubro de 2009 a 28 de Janeiro de 2010 e abrangeu todo o território do Continente.
Das 88 candidaturas submetidas, foram já aprovados 60 pedidos de apoio, que correspondem a um investimento total de 17 milhões de euros e representam um apoio PRODER de 12 milhões de euros.
O nível de apoio é de 100% da despesa elegível, sendo a contrapartida nacional do financiamento assegurada pelo beneficiário sempre que as operações previstas nesta tipologia sejam promovidas por autarquias locais, organismos da administração pública e distribuidores de energia eléctrica, mesmo que em parceria.
A pontuação atribuída aos pedidos de apoio teve em conta a articulação da operação com a estratégia de desenvolvimento da região onde se insere, o plano de desenvolvimento integrado do território de intervenção, a interligação com os projectos no âmbito das medidas PRODER relacionadas com a inovação e desenvolvimento empresarial e com a promoção da competitividade florestal, incluídos na área abrangida, bem como o grau de adesão dos potenciais utilizadores das explorações agro-florestais e das micro e pequenas agro-indústrias servidas pelas infra-estruturas.
No contexto geral do PRODER quais são os seus objectivos gerais e áreas de Intervenção?
O PRODER é um instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural do continente, para o período 2007-2013, aprovado pela Comissão Europeia, Decisão C(2007)6159, em 4 de Dezembro.
Co-financiado pelo FEADER – Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural aproximadamente em 3,5 mil milhões de euros, envolve uma despesa pública de mais de 4,4 mil milhões de euros.
Decorrente do Plano Estratégico Nacional – PEN, que define as orientações fundamentais para a utilização nacional do FEADER, a estratégia nacional para o desenvolvimento rural escolhida em função das orientações estratégicas comunitárias, visa a concretização dos seguintes objectivos:
-Aumentar a competitividade dos sectores agrícola e florestal;
-Promover a sustentabilidade dos espaços rurais e dos recursos naturais;
-Revitalizar económica e socialmente as zonas rurais.
A estes objectivos estratégicos acrescem ainda objectivos de carácter transversal , como sejam, o reforço da coesão territorial e social, e a promoção da eficácia da intervenção dos agentes públicos, privados e associativos na gestão sectorial e territorial.
As actuações que se pretendem levar a cabo no PRODER encontram-se agrupadas por Subprogramas e estes por medidas.
O Subprograma 1 – Promoção da Competitividade, o Subprograma 2 – Gestão Sustentável do Espaço Rural e o Subprograma 3 – Dinamização das Zonas Rurais, visam a promoção de acções que contribuem directa e objectivamente para a prossecução dos três objectivos estratégicos nacionais assumidos na estratégia nacional para o desenvolvimento rural, os quais, por sua vez, foram delineados em consonância com as orientações estratégicas comunitárias vertidas nos eixos 1, 2 e 3 do FEADER.
Em particular o Subprograma 3 privilegia o modo de actuação LEADER, através das acções promovidas no âmbito de estratégias de desenvolvimento local e através de agentes organizados especificamente para esse efeito.
 Este Subprograma reserva ainda medidas para apoio ao funcionamento destes agentes e para o estímulo da cooperação entre eles.
O incentivo à abordagem ascendente (“bottom-up”) é patente na estratégia nacional adoptada, em particular no terceiro objectivo estratégico nacional que assumidamente se pretende ser atingido pelo desenvolvimento de acções com abordagem LEADER.
Igualmente os objectivos transversais no âmbito da estratégia nacional para o desenvolvimento rural, apontam para esta opção de dar preferência ao modo de actuação LEADER.
Trata-se de uma prioridade que segue a orientação estratégica comunitária traduzida no eixo 4 do FEADER.
O Subprograma 4 – Promoção do Conhecimento e Desenvolvimento de Competências com carácter transversal, traduz uma prioridade relacionada com a importância reconhecida ao conhecimento e às competências dos agentes que actuam no território, os quais desempenham um papel absolutamente determinante no sucesso global da estratégia nacional adoptada.
Esta prioridade resulta da estratégia nacional e das orientações comunitárias, que referem a inovação e desenvolvimento de competências.
Estrutura do Programa
Subprograma 1 – Promoção da Competitividade
Medida 1.1 Inovação e Desenvolvimento Empresarial
Acção: Modernização e Capacitação das Empresas
Acção:Investimentos de Pequena Dimensão
Acção: Instalação de Jovens Agricultores
Medida 1.2 Redimensionamento e Cooperação Empresarial
Medida 1.3 Promoção da Competitividade Florestal
Acção: Melhoria Produtiva dos Povoamentos
Acção: Gestão Multifuncional
Acção: Modernização e Capacitação das Empresas Florestais
Medida 1.4 Valorização da Produção de Qualidade
Acção: Apoio aos Regimes de Qualidade
Acção: Informação e Promoção de Produtos de Qualidade
Medida 1.5 Instrumentos Financeiros e de Gestão de Risco e de Crises
Acção: Instrumentos Financeiros
Acção: Restabelecimento do Potencial Produtivo
Medida 1.6 Regadios e Outras Infra-estruturas Colectivas
Acção: Desenvolvimento do Regadio
Acção: Regadio de Alqueva
Acção: Sustentabilidade dos Regadios Públicos
Acção: Modernização dos Regadios Colectivos Tradicionais
Acção: Projectos Estruturantes
Subprograma 2 – Gestão Sustentável do Espaço Rural
Medida 2.1 Manutenção da Actividade Agrícola em Zonas Desfavorecidas
Acção: Manutenção da Actividade Agrícola fora da Rede Natura
Acção: Manutenção da Actividade Agrícola em Rede Natura
Medida 2.2 Valorização de Modos de Produção
Acção: Alteração de Modos de Produção Agrícola
Acção: Protecção da Biodiversidade Doméstica
Acção: Conservação e Melhoramento de Recursos Genéticos
Acção: Conservação do Solo
Medida 2.3 Gestão do Espaço Florestal e Agro-Florestal
Acção: Minimização dos Riscos
Acção: Ordenamento e Recuperação de Povoamentos
Acção: Valorização Ambiental dos Espaços Florestais
Medida 2.4 Intervenções Territoriais Integradas
Acção: Apoio à Gestão das ITI
Acção: Programas de Gestão para ITI
Acção: ITI Douro Vinhateiro
Acção: ITI Peneda-Gerês
Acção: ITIMontesinho-Nogueira
Acção: ITI Douro Internacional
Acção: ITI Serra da Estrela
Acção: ITI Tejo Internacional
Acção: ITI Serras de Aires e Candeeiros
Acção: ITI Castro Verde
Acção: ITI Costa Sudoeste
Acção: ITI Monchique
Subprograma 3 – Dinamização das Zonas Rurais
Medida 3.1 Diversificação da Economia e Criação de Emprego
Acção: Diversificação de Actividades na Exploração Agrícola
Acção: Criação e Desenvolvimento de Microempresas
Acção: Desenvolvimento de Actividades Turísticas e de Lazer
Medida 3.2 Melhoria da Qualidade de Vida
Acção: Conservação e Valorização do Património Rural
Acção: Serviços Básicos para a População Rural
Medida 3.3 Implementação de Estratégias Locais de Desenvolvimento
Medida 3.4 Cooperação LEADER para o Desenvolvimento
Acção: Cooperação Interterritorial
Acção: Cooperação Transnacional
Medida 3.5 Funcionamento dos GAL, Aquisição de Competências e Animação
Medida 3.6 Implantação de redes de Banda Larga de Nova Geração, em Zonas Rurais
Subprograma 4 – Promoção do Conhecimento e Desenvolvimento de Competências
Medida 4.1 Cooperação para a Inovação
Medida 4.2 Informação e Formação Especializada
Acção: Formação Especializada
Acção: Redes Temáticas de Informação e Divulgação
Medida 4.3 Serviços de Apoio ao Desenvolvimento
(É possível verificar isto na página do PRODER)
Em que consiste o PEN (Plano Estratégico Nacional) para o desenvolvimento rural?
O Plano Estratégico Nacional (PEN) para o Desenvolvimento Rural estabelece as prioridades conjuntas da acção do FEADER e de cada Estado Membro, para o período de programação 2007-2013, conjugando as orientações estratégicas comunitárias e os seus objectivos específicos com as orientações de política nacional. Constitui, assim, o instrumento de referência para a preparação da programação do FEADER, sendo concretizado através dos subsequentes Programas de Desenvolvimento Rural (PDR).

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